Histórias Mitológicas

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Histórias Mitológicas

Mensagem por Netto A. Ryuuku em Sex Fev 03, 2012 12:17 am

O nascimento de Ártemis e Apolo - A morte de Píton




Ah, bem, ando lendo um livro com várias histórias mitológicas, e há uma bem parecida com essa que vou contar. Talvez seja igual, mas com certeza não vou chegar a perfeição. Bom, vou postar as que achar interessannte. Se quiserem postar algumas histórias também, será legal. Se postarem, o tópico irá passar de meras poucas páginas e passará a ser um tópico onde pessoas intelectuais e inteligentes, além de extremamente criativas, postam, por mais que não tenha tais qualidades. Bom, lá vai...:


- É tudo verdade, Hera: Latona está grávida de seu esposo, Zeus!

Íris, mensageira e confidente de Hera fora quem descobriu a novidade.


- Pois quero esta mulher bem longe de qualquer terra, compreendeu? - esbravejou Hera, enciumada - Bem longe de qualquer terra...

''Bem longe de qualquer terra'', pensou Íris. ''É um bocado longe.'' Latona, já com o ventre dolorido, foi obrigada, assim, a percorrer o mundo todo - atravessando, exausta, lugares como Quio, a Trácia, a Ática, a Eubéia, as ilhas do mar Egeu, sem jamais receber abrigo de quem quer que seja, em qualquer lugar. E como se isto não bastasse, Píton, a terrível serpente, a seguia, encarregada de devorar seus filhos. Sem dar um segundo de descanso, a pavorosa serpente empenhou-se em cumprir sua tarefa, sem, entretanto, conseguir alcançar seu objetivo maior. Assim, depois de muito vagar, Latona acabou por chegar à ilha de Ortígia, onde encontrou, finalmente, um abrigo. Ortígia era uma ilhaflutuante. Não estava fixa, portanto, em lugar algum, não fazendo parte da terra. Ali, durante nove dias e nove noites, Latona gemeu sob o império da dor. Mas Ilítia, a deusa que preside os partos, soube dos sofrimentos atrozes pelos quais Latona passara e resouveu socorrê-la.

- O filho de Latona será o mais belo dos deuses, e para mim será uma honra excelsa presidir seu nascimento - disse ela às amigas, antes de partir.

E assim foi. Depois de intenso sofrimento, Latona viu seus trabalhos duplamente recompensados: de seu ventre, saíram não um, mas dois filhos - um belo menino, de nome Apolo, e uma graciosa menina, chamada Ártemis.


- Aí tens o dia e a noite, um em cada braço -
disse Ilítia, com ternura.

Apolo, de pele alva e louros cabelos, de fato era a representação perfeita do sol e do dia, enquanto que Átemis, de cabelos negros caídos sobre o colo faiscamente, representava a lua envonta pela noite. Zeus deu a seus filhos muitos presentes, mas o que mais lhes agradou fora um maravilhoso arco confeccionado por Hefesto. Desde este dia, Ártemis afeiçoou-se de tal modo ao seu exercício que acabou se tornando a Deusa da Caça. Quanto a Apolo, tinha em mente, antes que tudo, vingar sua mãe.

- Diga-me, meu pai, onde está a terrível serpente que perseguiu tão cruelmente minha mãe - disse ele, com os olhos postos no céu -, e irei matá-la com minhas próprias mãos. - e Latona e seus filhos abandonaram a ilha, que passou a se chamar, desde então, Delos, ou seja, ''a ilha luminosa'', em homenagem ao deus da luz e do sol. E, após vários percalços, chegaram, enfim, a seu destino.

- Eis o monte parnaso, meus filhos - disse Latona, abraçada aos dois.

Mas aquele local magnífico, repleto de montanhas e abundante vegetação, abrigava algo terrível. Era ali que tal serpente, Píton, filha da terra, vivia, instalada bem ao pé do monte parnaso em um imundo covil.


- Chegou a hora, maldita serpente - disse Apolo, enganchando uma flecha em seu poderoso arco - Vamos acertar as contas!

De dentro da caverna partiu um urro tremendo, que fez desmoronar muitas montanhas ao redor. Logo em seguida, um bafo pestilencial, um misto de fogo e de sangue, foi expelido de dentro, inendiando tudo que estivesse a sua frente. A serpente medonha escorregou para fora da cova como se fosse uma língua em chamas espelida pela goela escancarada da montanha. Apolo, após subir em um rochedo, estendeu o mais que pôde a corda de seu arco e mirou no abismo de sua boca infernal. A fera, contudo, desviou-se da flecha, dando um salto inesperado e rolando de lado sobre a releva, que ficou toda crestada.

- Apolo, meu filho, cuidado! - gritava sua mãe, abraçada a Ártemis, que queria se desvenciliar dos braços da mãe para ajudar o irmão.

- Não se meta nisso, minha irmã!
- bradou o deus solar. - Você é muito nova e frágil para enfrentá-la!

Apolo nem se dava conta de que tinha a mesma idade de sua irmã, mas, naquele momento, foi a única coisa que lhe ocorreu para manter a salvo as duas mulheres. A serpente agora estava completamente em pé - parecia impossível, mas estava completamente ereta, como uma gigantesca palmeira -, e seu ventre, originalmente claro, estava todo coberto do sangue seco e dos ossos esmagados de antigos e horrentos festins. Um silvo ensurdecedor passou sobre o rosto de Apolo, como um vento quente e mórbido que um vulcão houvesse expelido em seu rosto. Píton entesou seu corpo e lançou um bote quase certeiro sobre a rocha onde o deus do sol se mantinha precariamente equilibrado. Um grande dente amarelado da serpente ficou cravado na rocha, como se fosse uma gigantesca espada enterrada na pedra. Dela escorria um líquido pestilencial da cor do âmbar e que exalava um odor terrivelmente nefasto. Apolo foi cair sobre a saliência de um penedo, ainda entontecido pelo bafo mefíticio de sua inimiga. A serpente Píton, após relancear a cabeça em várias direções, arregalou suas grandes pupilas horizontais: uma centena de línguas fendidas saíram de sua boca e chicotearam o ar em todas as direções. A temível Píton farejara novamente sua presa. Mas antes que vouvesse sua cabeça na fatídica direção, Apolo já estava de pé outra vez. Retesando ao mesmo tempo em seu arco três de suas mais afiadas flechas, Apolo esticou a corda até que ela quase estalasse.

- Serpente maldita, aqui está seu castigo! - disse o deus, despedindo as três flechas, que partiram sibilando pelo ar.

Já no caminho, as poderosas flechas foram duelando com as línguas serpenteantes da víbora, e uma chuva delas caiu do alto, decepadas pela velocidade das flechas. Em seguida, cada qual tomando seu caminho fora buscar um alvo diferente: a primeira flecha foi alojar-se no olho esquerdo da víbora; a segunda penetrou em seu peito, ausente de escamas, enterrando-se em seu coração; e finalmente a terceira entrou-lhe pela boca adentro, tirando-lhe o hausto da vida. Como uma palmeira que tomba, a serpente Píton caiu, provocando um grande estrondo e fazendo tremer a terra naquele momento. Apolo vencera, tomando, então, sua lira - que Hermes lhe dera de presente -, ele entoou sua canção de vitória, abraçando à mãe e à irmã. Disse a elas, trfiunfante:


- Aqui enterrarei a terrível serpente, e sobre seu túmulo, erguerei um sagrado templo, além de um oráculo, que será em breve o mais famoso de todos.

Era o oráculo de Delfos, local onde todo mortal iria sondar os irrevogáveis decretos das Parcas, as deusas que presidem o destino.

E foi assim que Apolo e Ártemis nasceram. E assim, também, que o deus da luz e do sol derrotou a terrível víbora Píton, e que construiu seu primeiro templo para que o oráculo fizesse suas profecias.





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Re: Histórias Mitológicas

Mensagem por Yarion Wings em Seg Fev 06, 2012 7:45 pm

Muito bom netto.
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